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Os 4 aspectos da mente e como isso afeta sua liderança

Por Henrique Katahira

· Integralidade,Facilitação,Propósito Evolutivo,Autoconhecimento

Segundo o conhecimento ancestral da yoga, a mente humana pode ser dividida em quatro categorias: buddhi (intelecto), manas (memória), ahankara (senso de identidade) e chitta (inteligência cósmica).

Buddhi é o intelecto — a capacidade de analisar fatos através da lógica. O intelecto é como um bisturi que disseca, analisa as partes, reduz, faz comparações e chega a conclusões lógicas a partir dos dados analisados. O intelecto não trabalha sem dados e é por isso que precisamos de manas (memória) que é a segunda categoria da mente.

Manas é um silo de memória onde armazenamos informações que vão muito além de fatos e conhecimentos acumulados. Cada célula pode conter milhões de bits de informações no seu material genético. Além da memória genética, carregamos memórias evolutivas, culturais e kármicas.

Na sociedade ocidental, quando falamos que uma pessoa é inteligente nos referimos a alguém que tenha um intelecto afiado e que acumulou muito conhecimento ao longo de anos de estudos. Todo líder que passou pela educação formal já está graduado nisso. Mas por que pessoas com intelectos afiados e que acumularam tanto conhecimento são infelizes ou causam sofrimento ao próximo? Como criar negócios que impactam positivamente todos os stakeholders do ecossistema e o planeta?

A resposta pode estar na falta de desenvolvimento do terceiro aspecto da mente: ahankara (senso de identidade). Todo ser humano nasce com a necessidade de sobrevivência e pertencimento. Então nos identificamos com nossa família biológica e à medida que nos tornamos adultos, vamos expandindo a identidade com a nossa família estendida, raça, etnia, religião, nação e assim por diante. Quanto maior o apego às nossas identidades maior é o dano que causamos a nós mesmos e ao próximo. Se uma pessoa é capaz de morrer por algo que ela se identifica, também é capaz de matar. Por outro lado, uma pessoa com ahankara bem desenvolvido consegue se empatizar com outras pessoas, se desapegar de suas próprias identidades, desaprender e reaprender com muito mais facilidade. Daí a importância do líder facilitar processos de tal forma que amplie o senso de identidade do grupo.

Sobrevivência e expansão são dois aspectos da essenciais da natureza humana. Quando nossa necessidade de sobrevivência é atendida, ansiamos expandir, deixar a nossa marca. Se utilizamos os recursos de buddhi e manas com senso de identidade limitado, criamos soluções que atendem somente a nós. Por outro lado, se meu senso de identidade vai além da minha humanidade, posso criar soluções que vão beneficiar não somente a humanidade como também toda a vida no planeta. Yoga é uma palavra em sânscrito que significa união. Nesse sentido, temos que ampliar o nosso senso de identidade para uma identidade cósmica de forma que o “eu” e o cosmos se tornem um. Talvez ahankara seja o aspecto de mente mais importante a ser trabalhado, antes mesmo do início da educação formal. Nesse sentido, desenvolver o senso de identidade é uma habilidade essencial para todo líder que deseja causar impacto social e ambiental positivo no mundo.

Como desenvolver o senso de identidade?

Uma das práticas mais poderosas para ampliar o senso de identidade é o “Quem sou eu?” — uma prática de meditação em duplas onde cada pessoa fala sobre quem ela é durante 3 minutos alternadamente, sem ser interrompida. Quanto mais nos aprofundamos na nossa essência, mais nos desidentificamos daquilo que não somos.

Alunos da Formação de Líderes Evolutivos praticando o “Quem sou eu”

"Quem sou eu”? Não há resposta para isso, é irrespondível. Sua mente irá fornecer muitas respostas. Sua mente irá dizer: “Você é a essência da vida. Você é a alma eterna. Você é divino”, e assim por diante. Todas essas respostas têm de ser rejeitadas: neti neti — você tem que continuar dizendo: “Nem isto, nem aquilo”.

Quando você negou todas as possíveis respostas que a mente pode conceber e fornecer, quando a questão permanece absolutamente incontestável, um milagre acontece: de repente, a pergunta também desaparece. Quando todas as respostas foram rejeitadas, a questão não se sustenta e não se situa em mais nada. Ela simplesmente some, ela entra em colapso, ela desaparece.
Quando a questão desaparece, então você sabe. Mas esse conhecimento não é uma resposta: é uma experiência existencial.

Osho — Ah, this! Talk #2

O último aspecto da mente é a chitta ou inteligência cósmica. É a inteli