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A facilitação, o facilitador e a infinita criatividade

A inteligência coletiva é nosso apoio e o caminho para soluções que realmente importam

A palavra complexidade já deve estar virando lugar comum pra você, não é mesmo? Assim como a certeza de que a velocidade com que as coisas vêm mudando torna impossível qualquer tentativa de prever o futuro.

Ainda podemos somar a isso todos os riscos que sempre foram parte da vida e aqueles que são fruto de um sistema que viemos, como humanidade, construindo nas últimas décadas e que nos coloca frente aos limites da capacidade de sustentação da vida em nosso planeta.

Pandemia, crise climática, desigualdades absurdas, polarização, fake news e o advento da pós-verdade… essa é a vida que nos é mostrada, a vida que vivemos.

Nisso tudo, onde podemos encontrar algum apoio? Onde podemos nos segurar? Em que acreditar?

Vou contar uma coisa pra vocês: essa também é uma pergunta que carrego comigo. Um incômodo que sempre esteve aqui tem a ver com a superficialidade. Eu gosto de tentar entender o que está por baixo, na base daquilo que é visível, tangível. Uma vez um amigo que disse que o que eu busco são as ‘sabedorias perenes’. Eu gostei de ouvir aquilo pois foi como se algo tivesse se encaixado, algo que não tinha nome e agora tem, um conforto.

Mas em um mundo em constantes mudanças será que existe alguma sabedoria perene? Com o tempo, fui entendendo que existem algumas bases que perduram ao longo do tempo, desde que passamos a nos reconhecer como humanidade e talvez antes disso.São bases essenciais que refletem certas buscas comuns a todos nós, como:

  • Ter paz;
  • Amar e ser amados;
  • Pertencer;
  • Ter autonomia;
  • Contribuir;
  • Sermos ouvidos e acolhidos…

Para além de tudo isso, existe uma pulsão de transcendência*, nós queremos criar algo novo, melhorar, evoluir, ir além de nós mesmos.A criatividade nasce dessa pulsão, desse movimento interno de transformar nossa essência intangível em expressão no mundo, que pode ser artística, empreendedora, cuidadora, pode cultivar uma horta ou uma grande corporação, pode criar filhos e buscar o despertar espiritual.Tudo nasce dessa infinita criatividade.

Porém, vamos voltar rapidinho ao mundo complexo. Hoje em dia muita gente procura colocar a sua criatividade a serviço de algo que ajude o mundo, que cause mais benefícios do que todo o estrago que já foi feito. E isso é valioso! É isso mesmo que precisamos fazer: entender a natureza, criar negócios de impacto, educar para criar seres humanos que usem sua criatividade para cuidar.

Mas aí vem o primeiro grande desafio: 

Em um mundo complexo, ninguém faz nada sozinho.

Essa história de crescer pelo próprio esforço, self made men and women, o discurso de que ‘eu me esforcei, então eu mereço’, já eram! Nós dependemos uns dos outros e se realmente quisermos que nossas ideias e projetos, nossa arte e criatividade sejam levadas adiante e gerem resultados que importam, precisaremos de ajuda, de conectar ideias, de outros conhecimentos, de parceiros, fãs, clientes, seguidores… mais do que isso, precisamos de diferentes inteligências atuando conosco.

Vivemos em rede e se você ainda não se ligou nisso, porque está tentando destacar a sua ideia, a sua criação, método, produto do todo, esqueça! A vida sempre foi uma rede, agora isso só está mais óbvio. 

E é a partir daí que vem o próximo desafio: se vivemos em rede e somos seres interdependentes, porque, mesmo entendendo isso, é tão difícil colaborar? 

Co-Laborar (trabalhar junto).

Hoje a colaboração já é considerada uma tecnologia. Sim, uma tecnologia social. E por ser uma tecnologia social, é também algo ext