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A Tecnologia como Aliada na Evolução da Consciência Humana

Por Henrique Katahira

· Reinventando Org,Liderança Evolutiva,Integralidade

Uma das maiores aliadas da evolução da consciência humana é a tecnologia. Pode soar estranho no mundo de hoje com tanta tecnologia disponível e com tanta gente “inconsciente”, mas segundo a Teoria Integral de Ken Wilber, toda vez que a humanidade passa por uma grande revolução tecnológica, uma nova visão de mundo é compreendida e integrada, gerando um upgrade no nível de consciência.

A primeira grande revolução tecnológica aconteceu quando o ser humano descobriu a agricultura. Com o advento desta tecnologia, a humanidade deixou de se organizar em tribos com algumas dezenas ou centenas de indivíduos para se organizar em sociedades altamente complexas e hierarquizadas, com divisão de classes sociais como clero, militares, escravos e camponeses e conquistaram a estabilidade e a segurança. Para quem vivia em tribos baseados na caça e na coleta, estabilidade e segurança eram artigos de luxo. Com a estabilidade e o senso de pertencimento e grupo, o ser humano passou de uma visão egocêntrica (eu) para uma visão etnocêntrica (nós).

A segunda grande revolução tecnológica foi um pouco mais recente, com a Revolução Industrial que trouxe grandes avanços para a sociedade como o desenvolvimento da ciência, o aparecimento de grandes corporações e das repúblicas, a excelência nos processos, a qualidade na entrega, a meritocracia e a competitividade. O trabalhador comum pode agora começar como estagiário e subir a escada social, conquistando a sua necessidade de diferenciação e reconhecimento, o que não era permitido no paradigma anterior. A percepção de mundo se ampliou criando a visão mundiocêntrica.

Nos anos 60, o avanço da tecnologia aeroespacial gerou o que chamamos de overview effect — uma mudança cognitiva de consciência reportada por astronautas durante voos espaciais ao contemplar o planeta Terra. Essa mudança de consciência é decorrente da percepção de a humanidade é uma só, independente da cor da pele, credo ou gênero. Tal percepção permitiu o surgimento dos movimentos hippies, LGBT, anti-racismo, feminismo, etc. A humanidade passou então a ter uma visão multi-mundiocêntrica (todos nós).

Documentário Overvivew Effect

Neste exato momento estamos passando pelo quarto grande salto tecnológico — talvez o maior e mais importante da história da humanidade — que começou nos anos 90 com a popularização da informação através do acesso à internet e, mais recentemente com os avanços da inteligência artificial, IoT (sigla inglesa para internet das coisas) e robotização. Maior pela velocidade e pelo impacto das mudanças e mais importante pois é o primeiro nível de consciência que integra todos os níveis anteriores. Estamos mudando a nossa forma de ver o mundo para uma visão cosmocêntrica (todo planeta) onde há identificação não só com todos os humanos, mas com outros seres vivos como animais, plantas, meio ambiente e outros processos naturais.

Voltando ao primeiro parágrafo, se estamos em plena revolução tecnológica, por que existem tantas pessoas que ainda não compartilham de uma visão de mundo cosmocêntrica?

Vou arriscar duas respostas. A primeira é que a tecnologia vem sempre antes e é ela que provoca a mudança de mentalidade e de comportamento. É ela que molda a linguagem e a forma que pensamos criando metáforas que ampliam a nossa percepção de mundo externo e interno. Quando Buda falava de ilusão há 2500 atrás era um conceito super abstrato. Hoje, podemos falar que a ilusão de Buda é como navegar no feed de notícias do Facebook. Cada usuário tem uma única versão do que aparece no seu feed, como se estivesse numa bolha de realidade. A compreensão de que existem diferentes mundos, a aceitação de que cada um vive na sua Matrix e que diferentes verdades podem coexistir é um grande ganho de consciência facilmente explicado pela metáfora da tecnologia.

A segunda é que mudanças de mentalidade e comportamento não ocorrem de uma hora para outra. Numa escala histórica, 30 anos não são suficientes para haver muita mudança. As pessoas podem até compreender num nível cognitivo mas o conhecimento muitas vezes não está integrado em outras linhas de desenvolvimento (inteligências) como a moral, emocional, interpessoal, espiritual, etc. — e por não estar integrado não transforma automaticamente em ações, criando realidades.

A boa notícia é que a tecnologia está cada vez mais presente nas novas gerações. Termos como internet, redes, memória, HD, nuvem, hologramas, algoritmos, informação, download, upgrade, sistemas operacionais, apps, etc. já fazem parte na nossa linguagem nos mais variados contextos. Quanto maior a exposição à tecnologia, maior será a compreensão e incorporação desses termos na vida da pessoa, provocando mudanças de comportamento e a integração dessa visão em outras linhas de desenvolvimento.

Com a velocidade dos avanços tecnológicos aumentando exponencialmente, podemos esperar um futuro brilhante quando uma nova geração de líderes conscientes com seus sistemas operacionais e aplicativos atualizados assumirem papéis importantes na sociedade.

Apesar de ser mais fácil imaginar distopias, por que não imaginar utopias realistas? Que tal criarmos juntos uma sociedade inspirada em valores cosmocêntricos? Como serão a democracia, governança, economia, negócios, escolas, sistemas educacionais, hospitais e organizações numa sociedade cosmocêntrica? Quem serão os agentes dessa mudança?

Na cuidadoria, já estamos fazendo a nossa parte, ajudando pessoas e organizações a se reinventarem através da implantação de modelos de gestão e liderança alinhados a esse nível de consciência.

Se você quiser saber mais sobre como ser um agente de mudanças alinhado à visão cosmocêntrica de mundo nas organizações ou na sociedade conheça a nossa Formação de Líderes Evolutivos acessando o link http://www.cuidadoria.com/lideres-evolutivos

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