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ORGANIZAÇÕES TEAL - ESTAMOS PREPARADOS?

Por Cristiane Amaral

A Cristiane Amaral é arquiteta e participou do grupo de estudos do livro Reinventando as Organizações (clique para ver o estudo gravado) e trouxe o seu depoimento e sua reflexão sobre sua experiência de ter trabalhado em uma organização teal, sem saber...

Quando estamos em um processo de transição, é muito comum, a meu ver, que as novas práticas e experimentos apareçam de forma espontânea e a percepção teórica do ponto onde estamos e para onde vamos apareça depois de um tempo de estudos e reflexões, com o olhar voltado àquelas experiências.

O mesmo acontece quando os traços de uma nova era surgem, primeiramente, nas expressões artísticas, em que intuitivamente, são apresentados alguns elementos que vão se tornar mais óbvios em outras áreas (economia, engenharia, arquitetura, psicologia, etc.) após alguns anos.

Também seria um hábito retornarmos a práticas mais conhecidas em momentos de crise? Como se essas práticas que, teoricamente, sabemos os resultados, se encaixassem em qualquer situação como um curinga? Sendo mais clara, será que uma empresa com a alma teal sobreviveria a um departamento vermelho?

Após o estudo do livro "Reinventando as Organizações", de Frederic Laloux, realizado pela cuidadoria, chego à conclusão que o coração da empresa na qual trabalhei por mais de quatorze anos, sendo gerente por oito anos, tinha muitos traços de teal e o sucesso estava ali.

Um grande escritório de arquitetos... Imagine um lugar onde quase a totalidade das mentes é criativa, entusiasmada, em geral muito curiosa e o fundador sempre em busca de inovações e grandes realizações. Como essas mentes tão criativas e entusiasmadas poderiam executar, com primor técnico, os projetos de grande porte, como era feito ali?

Essa empresa era dividida em três departamentos claros: administrativo (financeiro, contratos, secretaria e, curiosamente, por muito tempo não havia RH), arquitetura de interiores e arquitetura civil. Apesar da definição de cargos, com nomenclaturas tradicionais, o departamento de arquitetura civil tinha características especiais, que foram construídas ao longo dos anos. Com o ar de ateliê de arquitetura, no que se diz à informalidade no trato entre as pessoas, havia três líderes, denominados gerentes, que trabalhavam de forma integrada (exceto em momentos pontuais, em função da demanda elevadíssima de projetos), apoiado por um pool de arquitetos que transitavam sob a liderança dos 3 gerentes.