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Por que não faz sentido colocar os acionistas em primeiro lugar?

O modelo atual, que coloca os interesses dos acionistas acima de todas as outras preocupações das companhias, começa a se tornar uma ideia ultrapassada.

Um artigo de William Lazonick publicado em 2014 na Harvard Business Review acompanhou empresas incluídas no índice S&P 500 durante dez anos. E um dos resultados da pesquisa foi de que 91% do lucro das 449 empresas avaliadas foram destinados à recompra de ações e dividendos, deixando insignificantes 9% para "capacidade produtiva ou maiores salários", ou seja, apenas 9% foram realmente investidos na empresa.

Essa é a lógica que mata a essência dos negócios. 

Uma empresa sem um propósito maior do que aumentar o lucro de seus acionistas perde dinamismo, criatividade, capacidade de inovação e, com o tempo, a própria capacidade da organização manter-se atualizada.  Além de deixar um rastro de impactos negativos na nossa sociedade e no meio ambiente.

Mas como isso acontece?

Uma empresa que coloca o lucro dos acionistas  em primeiro lugar contribui para um sistema que acumula ao invés de fazer fluir o dinheiro, deixando de gerar benefícios para colaboradores, clientes e sociedade. 

Isso cria um ciclo negativo, pois o dinheiro acumulado (fora de fluxo) não dá vida a nada de novo e inclusive tem um impacto negativo na lucratividade da organização: o lucro acaba sendo menor e o rastro de impacto negativo se acumula em todo o sistema.