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A EDUCAÇÃO NA ERA DO CUIDAR 

Por Thianne Martins

Como seriam os paradigmas de uma educação evolutiva?

Acredito que, no trabalho de cuidar, há uma grande porção de um trabalho de educador… e vice-versa. Desde que mergulhei nos processos de auto-conhecimento e, especialmente quando encontrei a Psicologia Transpessoal, passei a vivenciar, no ambiente “escolar”, um aprendizado que ia muito além dos livros, das aulas e dos conteúdos teóricos.

Aquilo descortinou um novo mundo diante dos meus olhos: uma forma de aprender que estimulava os sentidos e o sentir, que partia de um princípio de acolher sensações, intuições, a criatividade, o pensamento divergente do conteúdo trazido pelo professor.

Rodas e mais rodas, duplas, trios, grupão… trabalho de mente e corpo. Como assim, uma aula em que o corpo também aprende, em que as emoções são consideradas forma de compreender o mundo? O aprendizado acontecia por todos os poros… pelo corpo, pela mente, pela alma!

Arte, tinta, dança, silêncio… Aprender com os símbolos e fechar o dia agradecendo com uma música trazida espontaneamente.

Uma atmosfera de respeito que dizia, sem palavras, que os professores não viam alunos, mas seres com a possibilidade de expressar seu pleno potencial, colocando-se disponíveis e atentos para estimular justamente este florescimento.

Hoje compreendo que aquilo que me abriu um mundo de novos olhares e “sentires” é, na verdade, a prática de um novo paradigma em educação.

Uma forma de educar com olhar da abundância e dos valores humanos.

Daquele dia em diante, passei a desejar contribuir com o mundo levando este tipo de experiência a outras pessoas.

Hoje, alguns anos depois de meu primeiro contato com a Psicologia Transpessoal e uma diversidade de outras vivências, que expandiram não só meu conhecimento intelectual, mas todas as áreas da minha vida — do mundo emocional a espiritualidade — trabalho como facilitadora, coach e terapeuta. Desenho e facilito processos de aprendizagem vivencial… Na @cuidadoria, a Formação de Líderes Evolutivos é totalmente desenhada neste novo paradigma.

Mas qual é este paradigma? Quais são os componentes desta nova forma de aprendizado.

Peço licença para trazer aqui a inspiração de professores da Transpessoal, como a Dra. Arlete Acciari e Dra. Vera Saldanha.

O Antigo Paradigma:

  • O conteúdo é o mais importante, feito como uma entrega de informações “corretas”;
  • O aprendizado é um produto voltado a uma determinada destinação;
  • Estrutura hierárquica, vertical em que o conformismo e a aceitação da autoridade são recompensados;
  • Currículo pré-determinado, por uma instância a qual é dado o poder de decisão;
  • Progresso controlado, compartimentado por idades;
  • Prioridade no fazer, na realização;
  • Ênfase no mundo exterior (experiência interior frequentemente considerada imprópria ao ambiente escolar);
  • Dúvidas e divergências são desencorajadas;
  • Valorização do pensamento linear e analítico;
  • Confiança no conhecimento teórico’
  • Salas de aula focadas em eficiência e conveniência;
  • Estrutura burocrática e resistente aos anseios externos, da comunidade, do mundo, da sociedade;
  • Educação encarada como uma necessidade para desempenhar papeis sociais;
  • Muito tech e pouco touch: muita tecnologia e equipamentos e pouco contato humano;
  • O professor entrega o conhecimento.

O Novo Paradigma:

  • Aprender a aprender, como fazer perguntas, como prestar atenção, abrir-se a novos conceitos e avaliá-los. Saber relacionar o conteúdo ao contexto onde está sendo aplicado e compreender que é necessário manter-se aberto a mudanças, inclusive daquilo que se sabe;
  • O aprendizado é um processo;
  • Permissão a sinceridade e divergências. A relação aluno-professor é de troca e não ligada a função;
  • A autonomia é encorajada a todo tempo;
  • Diferentes caminhos para ensinar um mesmo assunto;
  • Integração de diferentes grupos sem limitação automática por classificações como idade, por exemplo;
  • Autoimagem como geradora de realização;
  • Contexto que inclui a experiência interior, com exercícios que encorajem a exploração de sentimentos, do centramento, da vulnerabilidade e dos conteúdos simbólicos e artísticos;
  • Dúvidas e pensamento divergente como parte do processo criativo;
  • Racionalidade estimulada por estratégias não-lineares, intuitivas em confluência com o pensamento analítico e linear;
  • Conhecimento teórico combinado com a aprendizagem experiencial, dentro e fora da sala de aula;
  • Ambiente de aprendizagem pensado para o conforto, naturalidade, privacidade, interação e flexibilidade para atividades de diversos tipos;
  • Utilização da tecnologia, mas a ênfase está no relacionamento humano;
  • Professor e educando aprendem juntos.

Para colocar o novo paradigma em prática, além de um arcabouço vasto de ferramentas, é necessário muito mais: partir do auto-conhecimento e de um princípio básico: nada no ser humano pode ser descartado, deixado de lado… Somos seres integrais e expressar nossa inteireza é abrir o campo para o caminho evolutivo, para nos vermos como líderes de nós mesmos e de nossa própria vida, mas interconectados uns aos outros e a natureza, conscientes e praticantes de valores que potencializem ações positivas em todos os níveis: individual, nas relações humanas e com o mundo ao nosso redor.

O professor é aquele que já caminhou mais na trilha evolutiva, mas reconhece que todos nós somos aprendizes evolutivos e nos dá o impulso, desperta a curiosidade e a motivação para seguir o caminho…

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